Incorpore-se

Incorpore-se: presença, atitude e autoconfiança no desenvolvimento humano

Quem é você?

Acredito que essa seja uma das perguntas mais difíceis de responder.
Até podemos recorrer a respostas genéricas, emotivas ou racionais para nos definirmos e nos apresentarmos à sociedade por meio de rótulos.
Mas você, sozinho consigo mesmo… quem é você?

Motivação e atitude começam pela identidade

Como já disse em várias ocasiões, palestras e artigos, sou formado em artes cênicas. Apaixonei-me pelo teatro e, com o tempo, percebi que não era exatamente pelas artes cênicas em si, mas pelo estado da arte do ser.

Em praticamente todas as aulas — gravação, improviso, imaginação, relacionamento cênico — havia um ponto em comum: tudo começava com o exercício de “tirar as máscaras”.

Era um exercício intenso.

Cada aluno pegava uma cadeira de plástico, daquelas com apoio para os braços, e se entrelaçava a ela no chão, buscando deliberadamente uma posição desconfortável.
O professor orientava: “busquem uma posição esdrúxula.”

Ao perceber-se fazendo algo ridículo, o aluno parava de se mexer e passava a encarar uma plateia imaginária — enorme — rindo dele, sem pudor.

A instrução era clara: permanecer ali, olhando para a plateia, até que ela se calasse. Até que aquela plateia imaginária passasse a sentir vergonha de si mesma diante da sua coragem de se expor.

Somente então o aluno se desemaranhava da cadeira e retirava uma máscara, também imaginária, revelando a força pessoal que existia por trás daquela imagem que as pessoas acreditavam ver.

Ao longo de três anos de curso, algo curioso acontece: não há mais quem consiga zombar de você.

Aprende-se postura.
Posicionamento.
Presença.

Presença, liderança e a coragem de se expor

Outro exercício poderoso aprendi no curso de clown (palhaço). Nele, o aluno ficava à frente dos outros, mantendo-se centrado, enquanto os colegas riam livremente da sua cara.

Valia tudo: ofensas, zombarias, bullying explícito. Magro, gordo, tímido, óculos, deficiência — qualquer característica virava motivo para gargalhadas, ditas em voz alta, até as lágrimas.

A instrução era clara: permanecer ali até vencer a plateia.

E o curioso — diferente do exercício da cadeira — é que ali a plateia não era imaginária. Ela realmente se silenciava. A zombaria perdia a graça. O riso se esvaziava. A plateia se dava por vencida.

Mas o mais interessante é que todos ganhavam.

Quem estava à frente ganhava força, presença e verdade.
E a plateia ganhava humanidade.

Acredito que exercícios desse nível só existam nas aulas de palhaço… e talvez no BOPE.

A construção da autoridade emocional

Isso cria presença.
Cria autoridade com casca grossa.

Não é sobre arrogância ou prepotência.
É sobre fortaleza.

Nos meus mais de cinquenta anos de vida e mais de três décadas dedicadas ao comportamento humano, observei pessoas com uma postura confiante muito específica — parafraseando Che Guevara, “sem jamais perder a ternura”.

A esse estado de prontidão, de presença e de verdade, dei o nome de incorporar-se.

Incorporar-se: atitude, verdade e autoconfiança

Incorporar-se é mais do que saber quem você é.
É ser quem você é.

E isso exige coragem — no sentido mais cru da palavra: agir com o coração.

Algumas pessoas parecem nascer assim. Outras vêm de um berço de atitude, onde os pais já carregam essa força. Outras, como eu, aprendem por meio do estudo, da experiência, da observação e da vontade quase obsessiva de entender o porquê das coisas — inclusive o porquê da autoconfiança.

E para te deixar desconfortável o suficiente para encontrar o verdadeiro conforto, te pergunto novamente:

quem é você?

Imagem do autor e palestrante Alexandre Bernardo

Alexandre Bernardo

Palestrante | Autor | Especialista em Desenvolvimento Humano | Este artigo é de autoria de Alexandre Bernardo. A reprodução é permitida desde que realizada na íntegra, com menção ao autor e à fonte original.

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